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Abuso Infantil
ENTENDENDO DIREITO  |  Com Patricia Garrote, Escritora e Advogada (OAB-DF 28400) 

Abuso é a forma incorreta, imoderada, excessiva de lidar com o poder. São exemplos clássicos o vício, o abuso moral, o abuso de autoridade, o abuso sexual, o bullying e a intimidação. Ocorre quando há desnível entre o poder do abusador e a condição do abusado de não reunir condições de resistir ou se contrapor ao abuso.


Dez entre dez psicólogos infantis afirmam: criança que sofre abuso, mesmo que não consiga falar (muitas vezes por ter sido ameaçada ou intimidada pelo abusador), mostra, por meio de seus comportamentos no dia a dia, o que está acontecendo ou aconteceu com ela, seja parando de comer ou comendo demais, seja tendo pesadelos constantes, seja mostrando-se excessivamente ansiosa, tímida ou chorosa, seja se automutilando, seja desenvolvendo uma síndrome do pânico ou fobia social. 

Imagem: Internet

A criança que “do nada” passa ser “difícil”, agressiva, respondona ou a ter medos inexplicáveis de pessoas, lugares, do escuro e de dormir sozinha merece atenção redobrada dos pais ou de quem está percebendo a mudança sem explicação no comportamento do infante. O abuso pode ser moral, psicológico, pode ser fruto do uso de castigo imoderado ou da violência por um dos genitores, mas também pode ser sexual. Acredite na sua intuição, nos sinais e na fala do seu filho. Não duvide do que ele te contar: afirme com todas as letras que acredita nele e o leve imediatamente a um especialista. A criança abusada que não recebe acolhimento nem tratamento vira o “adulto difícil” e “sem futuro” de que tanto falam: a autoestima destruída muitas vezes não se reconstrói e para remendá-la custa tempo, dinheiro e vida.


Crianças com comportamento erotizado e sexualizado precoce têm 99% de chance de terem sido abusadas. Crianças repetem o que veem adultos fazendo, mesmo sem terem ideia do que significa. Não puna seu filho: busque os motivos, você ficará surpresa. E fique de olho – o isolamento tem trazido à tona diversos casos de assédio sexual.


Lembre-se: abuso infantil não é só quando o adulto mostra cenas de sexo à criança, ou toca no corpo dela, ou a obriga a participar de práticas de sexo e masturbação. Pais que fazem sexo no quarto com o filho dormindo também cometem abuso. Para a criança o ato sexual se assemelha a violência, tanto pelo barulho que os adultos fazem quanto pelos movimentos. Evitem.


Mudanças repentinas no comportamento do seu filho são sinais inequívocos de que há algo acontecendo. Não o pressione, busque um especialista para ajudá-lo a identificar a causa, lidar com a situação e afastar o abusador.

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