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Cuidados que as escolas devem
ter na volta às aulas presenciais
Brasília, Novembro de 2020
Por Ademar Celedônio, do SAS Plataforma de Educação

Após meses de quarentena decretada para escolas por conta da pandemia, e os consequentes desafios em oferecer condições de estudos para a Educação Básica para milhões de crianças e adolescentes, as escolas começam a planejar o próximo - e difícil - passo. Muitos municípios e estados do Brasil começam a considerar a volta às aulas presenciais, levantando questionamentos sobre quais seriam as boas práticas para tornar isso possível sem comprometer a segurança de seus estudantes e funcionários.

Alguns países ao redor do mundo iniciaram reabertura gradual de suas escolas, adotando medidas de segurança, bem-estar e distanciamento social que têm se mostrado bastante satisfatórias diante do atual contexto da COVID-19. Segundo levantamento do instituto norte-americano Learning Policy Institute, que compila informações preliminares de diretrizes de saúde e segurança adotadas por cinco países (China, Dinamarca, Noruega, Singapura e Taiwan) em três frentes (frequência, distanciamento social e higiene), o sucesso das iniciativas está intimamente relacionado à capacidade desses países de testar e acompanhar casos da doença e de isolar demais indivíduos que tenham sido expostos ao coronavírus. 

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De acordo com Ademar Celedônio, professor e diretor de Ensino e Inovações Educacionais do SAS Plataforma de Educação, embora o Brasil viva algumas condições relacionadas à pandemia bem distintas, as experiências e medidas adotadas por esses países apresentam um panorama sobre os protocolos que gestores precisam considerar e responder, antes de começarem a pensar em estruturar a volta às aulas presenciais de suas escolas, minimizando os riscos de saúde mental para os alunos. “O objetivo é evitar que a escola se torne um ponto de contágio para toda comunidade escolar”.

Todos os alunos devem retornar ao mesmo tempo?

A segurança e o bem-estar dos alunos e funcionários precisam estar no centro da tomada de decisão.  Na Dinamarca, primeiro país da Europa a reabrir as escolas, o processo foi feito em fases. Primeiramente, apenas crianças menores de 12 anos puderam retornar às atividades presenciais, enquanto as demais idades permaneceram com o ensino remoto. A decisão do país levou em consideração o nível de dependência escolar dessa faixa etária, que não se beneficiava tanto do ensino virtual, bem como o fato de se enquadrar em um grupo de menos risco quando exposto ao vírus. Portugal, por sua vez, optou por retomar as aulas com o Ensino Médio. 

O aprendizado na escola deve ser combinado com o ensino remoto? 

Combinar ensino remoto e ensino presencial pode e deve ser levado em consideração pelas escolas para uma reabertura, uma vez que permite que as atividades sejam restabelecidas gradualmente e sem gerar aglomerações entre as diferentes faixas etárias. 

Procedimentos de quarentena devem ser adotados para alunos sintomáticos?  

Para esta questão, não há um padrão definido. Países como Noruega e Dinamarca pedem que alunos sintomáticos permaneçam em casa entre 1 a 2 dias, respectivamente. A China, por sua vez, exige que alunos com sintomas permaneçam em casa até os sintomas desaparecerem. Em Singapura, a lei do país exige quarentena para qualquer um que tenha tido contato com uma pessoa sintomática e, caso a escola tenha algum caso confirmado, ela é imediatamente fechada e higienizada. Já para Taiwan, se houver um caso confirmado de COVID-19, a classe toda é suspensa por 14 dias. Além disso, se houver dois ou mais casos confirmados, a escola toda deve suspender suas aulas por 14 dias. 

Com relação à saúde mental dos alunos, que medidas podem ser tomadas? 

As escolas vão precisar ficar atentas às questões e competências socioemocionais, estabelecendo um ponto de apoio para professores, pais e alunos. A volta às aulas, provavelmente, vai desencadear uma onda de ansiedade e expectativa muito grande por parte de todos os agentes envolvidos no processo de ensino-aprendizagem, uma vez que vão estar vivendo um momento totalmente novo. Nesse sentido, as escolas vão precisar dedicar atenção redobrada em esforços de longo prazo, que auxiliem os alunos a se reconectarem com a escola e com seus pares, e que ajudem o professor a lidar com toda a carga emocional envolvida no retorno. 

A sociedade como um todo ainda está aprendendo a lidar com os efeitos da pandemia. Aqui no Brasil, em resposta à crise, o Conselho Nacional de Educação (CNE) aprovou, no dia 28 de abril, a proposta que legaliza a oferta de atividades não presenciais em todas as etapas de ensino, como diretriz para a reorganização do calendário escolar de 2020. Ao analisar o contexto de retorno às aulas presenciais, o CNE recomenda que, na volta, as escolas apliquem uma avaliação diagnóstica de retorno, para tentar identificar quais habilidades essenciais foram aprendidas, ou não, durante o período de isolamento e ensino remoto.

Enquanto respostas mais concretas não chegam e o Brasil não desenvolve seu próprio manual de retorno às aulas presenciais, com diretrizes e recomendações específicas para a nossa realidade, seguimos nos espelhando e aprendendo com quem já está começando a entender, aos poucos, como será a Educação Básica do pós-pandemia.

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