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​Brasília, Abril/Maio de 2021
#ElejaUmaMulher
ENTENDENDO DIREITO  |  Com Patricia Garrote, Escritora e Advogada (OAB-DF 28400) 
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Foi a atriz Emma Watson que inaugurou, na sede da ONU, em 2014, a campanha He for She (Eles por Elas) com um discurso célebre sobre igualdade de gênero no mundo do trabalho. Em 2020, ao receber a sua estatueta de melhor atriz no Globo de Ouro, Michelle Willians pediu às mulheres que elejam mulheres para que “o mundo se pareça mais conosco” e que apliquem na prática o direito de uma mulher de escolher a vida que quer ter. Afirmou, em um momento que ficou gravado de forma indelével na mente de todos, provocando reflexão profunda, que “quando chegar a hora de votar, por favor o faça para o seu interesse, pois é o que os homens vem fazendo há anos, motivo por que o mundo se parece tanto com eles”.

 

Essa verdade se reflete no mundo todo, mas no Brasil é muito mais gritante, afinal, somos um país eminentemente machista – a cada 2 minutos (sim, DOIS MINUTOS) uma mulher é agredida e o motivo, pasme, em 90% dos casos é por ela ter ousado tentar terminar um relacionamento com um homem, o que reforça a tese de machismo estrutural, sistêmico, que se perpetua nos lares brasileiros.

 

No trabalho a situação não é diferente. Mulheres costumam ganhar menos do que os homens, pois com casa, marido e filhos para cuidar, além da temida idade fértil aliada à gravidez e licença-maternidade, acabam sendo preteridas nas vagas de empregos ou trabalhando em subempregos. Na advocacia é pior ainda. Criada em 1843 pelo IAB, a Ordem se tornou dos Advogados do Brasil no ano de 1930 pelas mãos de Getúlio Vargas. Nesses 91 anos de existência (e mais 87) a OAB jamais teve uma mulher no comando – claro, ela é dos advogados, não da advocacia.

 

Para se ter ideia, na última gestão de 2019-2021 somente advogados homens tomaram posse como presidentes em todas as seccionais da OAB no Brasil inteiro, alguns tendo mulheres como vice. Na política a história se repete, bem como em entidades públicas e até nas privadas. E por que isso acontece? Por que não há mulheres no poder? Sabemos que hoje 52,5% do eleitorado é composto por mulheres. A resposta, portanto, é uma só: há poucas mulheres se candidatando, o que torna quase impossível serem eleitas.

 

O raciocínio é simples: temos de ter mais mulheres visíveis, candidatas a eleição de prefeito, síndico, vereador, deputado, senador, diretor, presidente de cargos país afora para que sejam escolhidas por homens e mulheres pelo critério de honestidade, eficiência e experiência. Com tantos homens competindo e poucas mulheres com coragem de entrar na disputa, fica difícil escolher uma delas. Por isso, na próxima eleição, eleja uma mulher. Mas, antes, se candidate. Saia de sua zona de conforto e ajude a mudar a história machista de nosso país que se perpetua com a nossa omissão. #elejaumamulher

"Uma mulher precisa ser duas coisas: quem e o que ela quiser", Coco Chanel.

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