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​Brasília, Março de 2021
Divórcio saudável
ENTENDENDO DIREITO  |  Com Patricia Garrote, Escritora e Advogada (OAB-DF 28400) 
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Muitos me perguntam o que vem a ser divórcio saudável e a resposta, na ponta da língua, pede reflexão antes de falar o óbvio.

 

Um divórcio pode ser consensual e não ser saudável, porém toda separação litigiosa é fonte de doenças psíquicas que acomete os envolvidos, machucando a família inteira de forma quase indelével. Demora anos para se superar um divórcio litigioso onde a busca pela vingança e sentimentos negativos como raiva, intolerância, despeito, ciúme e inveja reinaram absoluto nos corredores dos tribunais, perpetuando a sensação de injustiça sofrida e de que “não existe justiça”.

 

Quando resolvi advogar meu sonho era ajudar mulheres em situação de vulnerabilidade social, afetiva, profissional e financeira, o que tento alcançar com a proposta do divórcio saudável. Mas antes de chegar a esse ápice aprendi que é preciso tomar certas providências que a princípio não parecem nada saudáveis mas que com o tempo podem se mostrar eficientes colocando a mulher à frente da situação em que se vê oprimida. O primeiro passo é sempre tentar fazer contato com o parceiro ou com o advogado dele a fim de conhecer melhor os dois lados daquela separação. É preciso conhecer toda a história para poder ajudar o casal a se separar de forma benéfica e até proveitosa.

 

Muitas vezes esbarro na resistência do lado oposto, o que é absolutamente normal, e damos início às negociações, mostrando que para chegar a um ponto de equilíbrio faz-se necessário ceder um pouco. Na verdade, mais do que mostrar é preciso convencer, comover, sensibilizar cada um dos ex-pombinhos para que se coloquem no lugar do outro e dos filhos, da família toda. É um trabalhinho bem cuidadoso, de formiguinha, que requer paciência e muita resiliência até chegar ao melhor da festa: o acordo sincero, aquele que não deixa mais doer as feridas, que acalma e deixa rastro de dever cumprido, de paz.

 

Divórcio saudável é isso: não precisa ficar amigo do ex, o que precisa é aprender a separar o que é resto de (des)amor e vida que segue. Olhar para a frente ajuda muito. É isso que faço: mostro que há vida após o divórcio e ela pode ser extraordinária ou uma merda, brigando até a morte com o ex e pagando advogado. Costuma funcionar.

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