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Retinopatia hipertensiva compromete a visão sem que
o paciente perceba
​Brasília, Janeiro de 2021
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Com Dr. Hilton Medeiros, Oftalmologista  (CRM-DF 7469) 

A hipertensão é um mal silencioso e grave. No Brasil, uma em cada três pessoas em idade adulta sofre com a pressão arterial elevada. Segundo a Sociedade Brasileira de Hipertensão, a patologia é responsável por 25% dos casos de diálise por insuficiência renal crônica terminal, 80% dos acidentes vasculares cerebrais (derrame) e 60% dos infartos do miocárdio. Além de causar doenças que podem levar a óbito, a pressão alta também pode comprometer a visão. Conhecida como retinopatia hipertensa, esta patologia provoca alterações vasculares nas artérias, na retina e no nervo óptico.

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“A retinopatia hipertensiva pode ocorrer na forma crônica ou na forma aguda. As alterações crônicas são caracterizadas pela esclerose das artérias (estreitamento) e as alterações agudas são caracterizadas pela presença de hemorragia, edema e infartos da retina e do nervo óptico”, explica o oftalmologista Hilton Medeiros, da Clínica de Olhos Dr. João Eugenio.


Geralmente, a parte mais afetada o olho é a retina, área responsável pela transformação da luz em impulso nervoso, que é captado pelo cérebro, permitindo enxergar. A obstrução da veia central retineana faz com que as veias menores da retina fiquem congestionadas e tornem-se tortuosas. Dessa forma, a superfície da retina torna-se congesta e edemaciada e pode ocorrer um escape de sangue no olho.


A mácula, região da retina responsável pela visão de detalhes, também pode ser acometida em decorrência da pressão alta por meio de micro sangramentos ou edema (inchaço). “Estas alterações não são observadas do lado de fora do olho do paciente, apenas pelo exame de fundo de olho e podem ser confirmadas por exames como angiofluoresceinografia e OCT (tomografia de coerência óptica)”, diz Hilton Medeiros.


As lesões no fundo de olho, como as hemorragias de retina e os microaneurismas, também são bastante frequentes em indivíduos idosos não diabéticos e estão significativamente relacionadas com a presença e a severidade da hipertensão arterial.


As alterações permanentes da visão por causa da hipertensão incluem, ainda, o crescimento de novos vasos sanguíneos anormais na retina e o desenvolvimento do glaucoma. “Em muitos casos, o tratamento com laser pode ser utilizado para destruir os vasos sanguíneos anormais”, afirma o médico.


Outra queixa comum do paciente hipertenso é o aparecimento de moscas volantes, que podem ser descritas como pontos pretos, manchas escurecidas ou fios que se assemelham às teias de aranha, observados principalmente quando o paciente olha para uma parede branca ou para o céu claro.


Ainda não existe cura para a retinopatia hipertensiva, mas há como controlar  sua evolução e em alguns casos recuperar parte do dano. Pacientes com hipertensão arterial sistêmica devem realizar um exame de fundo do olho no momento do diagnóstico da hipertensão, seguido de exames anuais. É importante lembrar que no começo o paciente não sente alteração na visão, até a retina estar comprometida, quando é mais difícil tratar e impedir perda da visão.

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